02.07.2009
Incentivo a financiamento de imóvel de baixo valor começa a dar resultado
A fórmula criada pelo governo para incentivar os bancos a baixarem os juros nos financiamentos imobiliários começa a apresentar os primeiros resultados. Segundo dados do Banco Central (BC), de janeiro a setembro deste ano já foram aplicados R$ 3,008 bilhões em empréstimos com juros inferiores a 12% ao ano. No início de 2005, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou uma fórmula para incentivar o financiamento, com juros menores, de imóveis avaliados abaixo de R$ 150 mil. Naquele ano, porém, os bancos quase não usaram esse mecanismo - foram emprestados apenas R$ 732 milhões -, o que chegou a despertar dúvidas se o instrumento seria bem-sucedido.
A partir de 2006, esses financiamentos começaram a apresentar considerável crescimento, puxados sobretudo pelos negócios fechados pela Caixa Econômica Federal - que responde por três quartos dos financiamentos com juros abaixo dos 12% ao ano. "É uma questão de competição", explica o gerente nacional de controle e acompanhamento do crédito imobiliário da Caixa, Teotônio Rezende. "A disputa no mercado é bastante acirrada, e os juros mais baixos são um dos nossos diferenciais." A legislação determina que 65% dos saldos captados pelos bancos em caderneta de poupança sejam dirigidos a financiamentos imobiliários, com juros máximos de 12% ao ano. Mas os bancos, de forma geral, sempre resistiram a financiar imóveis de baixo valor. O CMN criou em 2005 um mecanismo de incentivo. Quanto menores os juros e o valor do imóvel financiado, maior o peso no cumprimento das exigências de aplicação dos recursos de caderneta de poupança em credito imobiliário.
A principal vantagem para os bancos é que eles podem dirigir para aplicações mais rentáveis no mercado financeiro parte dos recursos que obrigatoriamente teriam que destinar aos financiamentos imobiliários. Dos R$ 3,008 bilhões que foram aplicados utilizando a fórmula neste ano, R$ 2,311 bilhões foram feitos por bancos públicos - com destaque para a Caixa. De forma geral, 60% dos financiamentos com recursos da caderneta de poupança feitos pela Caixa têm juros abaixo de 12%.
O curioso é que, entre todos os bancos, a Caixa é a que tem menor ganho financeiro ao operar com juros abaixo de 12% ao ano. A instituição mantém mais aplicações do que o exigido em habitação, por isso não tem os ganhos com a liberação de recursos da habitação para aplicações mais rentáveis no mercado financeiro.
Teotônio diz que, apesar de não ter os mesmos ganhos financeiros que outras instituições financeiras nesse tipo de operação, a Caixa ganha ao ampliar o volume de empréstimos. "O crédito imobiliário é uma forma de fidelizar clientes", disse.
Segundo os dados do BC, já foram financiados 46,7 mil imóveis de baixo valor, usando a fórmula criada pelo CMN. Os juros médios dessas operações, em setembro, eram de 9,59% ao ano.
Os bancos emprestaram R$ 9,3 bilhões em imóveis, incluindo imóveis de baixo e de alto valor. A Caixa responde por R$ 3,6 bilhões desse total.
Fonte: Valor Econômico
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